quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz 2010 !!

Recomeça….

Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…



Miguel Torga

domingo, 13 de dezembro de 2009

História Antiga

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.


E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da nação.


Mas, por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.


(Miguel Torga)

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Festivais Gil Vicente


Entre 4 e 13 de Junho, o Centro Cultural Vila Flor volta a ser palco de mais uma edição dos Festivais Gil Vicente. Este ano, o principal festival de teatro da cidade - que se realiza ininterruptamente desde 1987 - apresenta seis espectáculos, quatro cafés-teatro, uma oficina de dramaturgia com a Lark Foundation e uma exposição de fotografia de João Tuna. A contemporaneidade das propostas volta a marcar a programação delineada para 2009.
Os espectáculos dividem-se em duas semanas. De 04 a 06 de Junho sobem ao palco as peças: “Mona Lisa Show” (dia 04), de Pedro Gil, “Jerusalém” (dia 05), do Teatro O Bando, e “Delimvois” (dia 06), a mais recente produção do Teatro Oficina. Na segunda semana, os Festivais Gil Vicente prosseguem com “A Resistível Ascensão de Arturo Ui” (dia 11), da Truta Associação Cultural, o Teatro Meridional apresenta em ante-estreia nacional a sua mais recente produção “Acaravana” (dia 12), e Beatriz Batarda encerra os Festivais com o intenso monólogo “De Homem para Homem” (dia 13).

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Do meu compromisso com o Augusto Boal

(algumas linhas ao saber da tua morte)

José Soeiro, 3 de Maio de 2009

Morreu na madrugada de ontem o Augusto Boal. Tinha 78 anos de uma vida de luta, de solidariedade e de criatividade que influenciou o teatro em todo o mundo. Mas Boal era bem mais que um homem do teatro. Para mim e para tanta gente neste mundo.
Estive com ele uma única vez, em Paris, durante um workshop organizado pelo Julian. Mas quando recebi a notícia da sua morte, foi como se me falassem de alguém próximo, tão familiar. Porque ao longo dos últimos anos aquilo que pensou, as formas teatrais que inventou, o modo como concebeu a política e a educação, a imensa generosidade da sua prática e da sua metodologia, acompanharam-me muito para além das oficinas de Teatro do Oprimido que vou fazendo. Na verdade, muito pouca gente me marcou tanto como ele. Dele posso dizer, sem nenhuma reverência, que é um dos meus mestres.
Boal era um dramaturgo e encenador respeitado, que teve um papel muito importante, na década de 60 e 70, na “nacionalização” de alguns clássicos e na sua apresentação no Brasil e, também, na criação de um teatro que falasse dos problemas populares. Mas, mais do que tudo, o grande contributo que deixa é o Teatro do Oprimido – uma metodologia original que é hoje praticada por muitos milhares de pessoas em todo o planeta.
A ideia de Boal é simples: todos somos teatro. E, sendo o teatro a capacidade humana de nos observarmos em acção, precisamos de recuperar a nossa capacidade de actuar. Como dizia de forma provocatória, na medida em que for passivo, um espectador é sempre menos que um ser humano. Daí ter inventado o termo de espect-actor: uma combinação da capacidade de observar e de reflectir (própria do espectador) mas que nos restitui também a de agir nas situações que vemos (típica do actor), não reduzindo a realidade àquilo que existe, mas abrindo-a às possibilidades que sempre tem de ser diferente. Há cerca de um mês, na mensagem do Dia Mundial do Teatro que este ano escreveu, terminava dizendo que “actores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!”.
A reviravolta que Boal propõe para o teatro não tem apenas que ver com a sua vontade de transformação. O mais interessante, para mim, é a superação que faz do teatro de intervenção e de propaganda: não mais um teatro que comenta a realidade e que leva uma mensagem a um público, mas sim uma prática que propõe que cada grupo se aproprie dos meios de produção teatral para encenar a sua própria realidade e para ensaiar formas concretas de a mudar. A história de Virgílio, o camponês que terá ensinado a Boal que não se pode propor aos outros aquilo que nós próprios não estamos dispostos a fazer, ou seja, que a “solidariedade é estar disposto a correr os mesmos riscos”, é a mais importante lição contra a arrogância da política ou do teatro enquanto propaganda. Não há uma única vez em que conte esta história – e já a contei muitas dezenas de vezes nas oficinas de TO – e não me arrepie profundamente quando tenho de dizer a frase com que o camponês Virgílio confrontou os actores do grupo de Boal, “Quando vocês actores dizem «nós vamos dar o nosso sangue pela Terra!», estão na verdade a falar do nosso sangue, e não do vosso”.
O trabalho de Boal e a forma como a sua metodologia se reproduziu e é hoje instrumento de libertação para tantas pessoas e grupos, dá a dimensão do enorme contributo que ele deu para a emancipação, muito mais valioso, creio eu, do que o de tantos líderes revolucionários. O seu Teatro do Oprimido terá também aberto mais caminho para a democratização do teatro, sobretudo entre os que menos têm, do que muitos programas culturais cheios de boas intenções. A mensagem que o Movimento dos Sem Terra ontem divulgou, de homenagem ao companheiro Boal, é uma boa prova disso.
Uma das coisas que vou aprendendo de cada vez que faço uma oficina de TO é que não há transformação sem uma profunda atenção a todas as formas de poder – e o poder opressivo está aí, em cada relação humana, às vezes nos mais improváveis lugares. Outra, é uma permanente surpresa com a capacidade extraordinária que a linguagem da imagem corporal tem para nos revelar aspectos da realidade que, mesmo olhando-os todos os dias, não vemos. Outra ainda é a diferença entre o que dizemos que é preciso fazer e a nossa capacidade de efectivamente o fazermos. Ao contrário das logoterapias, que prescrevem através do discurso as transformações necessárias, o Teatro do Oprimido, e em particular o teatro fórum, confronta-nos sempre com a complexidade do “aqui e agora” e com a dificuldade de mudarmos, pela acção, as realidades em que vivemos. Na verdade, a opressão não é apenas uma estrutura, porque acontece na interacção concreta entre as pessoas. E nessa interacção, há corpo, há voz, há gestos mecanizados que nos tolhem, há máscaras que nos escondem e nos limitam, há rituais que nos prendem e que confinam o modo como as coisas são feitas, há as mais insondáveis emoções e bloqueios. O Teatro do Oprimido tem-me tornado mais atento a tudo isso.
Por último, dá-me ideia que há uma parte importante do Boal que, em muitos casos, vai ficando pelo caminho em algumas das experiências que se reclamam do seu teatro. Para ele, como para tanta gente na qual gosto de me incluir, o teatro não chega. Com efeito, para usar uma expressão do próprio, o Teatro do Oprimido é um “ensaio da revolução”, mas esta acontece sempre fora do espaço estético, ou quando a efervescência é tão grande que não conseguimos mais separá-lo e distingui-lo do espaço social.
Não se trata do Teatro do Oprimido (TO) fornecer, em si mesmo, uma direcção ou determinadas soluções para os problemas. Pelo contrário, o TO é apenas o espaço onde todas as soluções podem ser testadas e onde podemos perceber as consequências concretas do que fazemos. E isso, em si mesmo, é já profundamente transformador. O TO é assim como uma chave: em si mesmo, não abre a porta, é sempre preciso que alguém o tome nas mãos e o use para esse efeito. Mas também não é uma técnica vazia, disponível para ser usada ao serviço de não importa o quê (como por vezes vai acontecendo nessa Europa). As raízes do TO estão na luta contra todas as formas de opressão e no respeito profundo por cada ser humano e pelo seu sofrimento. Essas raízes percorrem várias das correntes do teatro, da pedagogia, da política emancipatória (e onde Boal vê mais longe, isso acontece também por se sentar em ombros de gigantes, como Marx, Paulo Freire, Brecht, Stanislavski...). Por isso mesmo, só faz sentido o Teatro do Oprimido ser praticado se estiver mesmo ao serviço dos grupos e dos problemas que eles escolhem. Não deve nunca responder às agendas do poder, sejam elas quais forem. Não serve para apresentar problemas escolhidos por alguém que não os vive – mesmo que esse alguém seja educador, assistente social, artista, ou o Estado. Não pode ser transformado em mais uma mercadoria ou numa “técnica de ensinar” ou de domesticar, como vemos acontecer. Precisa de ter o mesmo compromisso radical com os oprimidos que Boal tinha.
Tenho a sensação que o Teatro do Oprimido não surge por acaso na vida de Boal: foi uma necessidade, uma resposta criativa aos problemas que foi encontrando, uma vontade de pôr o conhecimento e os instrumentos teatrais ao serviço do combate à injustiça e à exploração. E parece uma resposta que o próprio Boal integrava no conjunto das suas práticas, como activista político, como militante cultural, como interventor teatral, como cidadão do mundo. Creio que a melhor homenagem que lhe podemos fazer é continuar esse impulso.
Ontem, perdemos muito. Eu sinto, por estranho que possa soar, que perdi alguém muito próximo. Mas sinto também que ele vive ainda e sempre na exigência do compromisso que nos deixa. Saibamos estar à sua altura.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Sarau Mariano


No próximo domingo dia 17 irá realizar-se na igreja de Carapeços mais um Sarau Mariano! Este vai contar com a participação do Teatro, dos Kyrios, do grupo coral de Carapeços e S.Leocadea e do Coral Magistrói. Terá inicio as 19h30 e será com toda a certeza um agradável final de tarde.Contamos com a sua presença!

sábado, 25 de abril de 2009

Próxima actuações


TpcZinho: "Vamos Contar Histórias" ---- 25 Abril --- Alvito S.Pedro
"Vamos Contar Histórias" ---- 30 Maio --- Alvito S.Martinho
"Vamos Contar Histórias" ---- 6 Junho --- Milhazes
"Vamos Contar Histórias" ---- 20 Junho --- Feitos


TpcJúnior: "As astúcias de Zanguizarra" --- 15 Maio --- Sequeade
"As astúcias de Zanguizarra" --- 23 Maio ---
"As astúcias de Zanguizarra" --- 30 Maio --- Alvito S.Martinho
TPC: "Vende-se casa Assombrada" --- 25 Abril --- Silveiros
"Vende-se casa Assombrada" --- 16 Maio --- Alvito S.Pedro
"Vende-se casa Assombrada" --- 6 Junho --- Milhazes
"Vende-se casa Assombrada" --- 2o Junho --- Feitos
TpcPoesia: 15 Maio --- Sequeade

quarta-feira, 25 de março de 2009

Mensagem do Dia Mundial do Teatro 2009

Dia Mundial do Teatro - 27 de Março de 2009

Augusto Boal


«Todas as sociedades humanas são espetaculares no seu cotidiano, e produzem espetáculos em momentos especiais. São espetaculares como forma de organização social, e produzem espetáculos como este que vocês vieram ver.

Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de idéias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro!

Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática - tudo é teatro.

Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a platéia e a platéia, palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver tão habituados estamos a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.

Em Setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da Bolsa - nós fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias.

Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre; no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: - "Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida".

Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.

Assistam ao espetáculo que vai começar; depois, em suas casas com seus amigos, façam suas peças vocês mesmos e vejam o que jamais puderam ver: aquilo que salta aos olhos. Teatro não pode ser apenas um evento - é forma de vida!

Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!»

Augusto Boal

sábado, 21 de março de 2009

Mensagem do dia Nacional de Teatro de Amadores 2009

21 de Março de 2009
Alfredo Correia
“Amigo, maior que o pensamento. Por essa estrada amigo vem. Não percas tempo que o vento é meu amigo também”.
“Em terra, em todas as fronteiras. Seja bem-vindo quer vier por bem. Se alguém houver que não queira trá-lo contigo também”.
Se pudesse comprar palavras, estas, seria por certo dono delas. Mas, o seu a seu dono, são palavras de José (Zeca) Afonso, da cantiga – “Trás um amigo também”.
É no ano que completo quarenta anos de vida no teatro, que a minha memória me leva ao ano de 1969, no Grupo dos Modestos (extinto em 1988), na peça “TODO O MUNDO E NINGUÉM”, de Gil Vicente, no papel de Dinato, com encenação de Leandro Vale. A ANTA trouxe-me até aqui, depois de tanto intervir no seu sítio, umas vezes, com palavras certas, outras vezes, com palavras a passear…
Mas, como não somos donos das palavras, nem tão pouco as podemos comprar, somos às vezes, (muitas vezes), escravos da palavra. É por isso que o meu “dom da palavra” me impulsiona a escrever:
- O teatro de amadores das associações tem de facto um “papel principal” no desenvolvimento cultural dos locais e regiões onde está inserido.
E tal como o ensino básico, é uma “escola” necessária no desenvolvimento social da população, por isso, os amadores de teatro das associações, devem ser responsáveis e terem orgulho de pertencerem à grande região que produz teatro no nosso País.
E, se atendermos à importância que o Movimento Associativo tem na Sociedade através das suas mais diversas actividades, mais orgulhosos podemos estar.
Daí que devemos, TODOS E CADA UM, com a dignidade que o teatro nos merece, sermos (nos ensaios, nos espectáculos, todos os dias) responsáveis, pelo que significa o teatro de amadores das associações, ou como digo: (expressão que criei) o teatro associativo.
E quando se falar na “reforma artística”, devemos antes saber (e por isso é prioritário) o que significa a RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.
A criatividade, o espírito de sacrifício e a solidariedade, quando aliados a uma saudável aprendizagem associativa, são verdadeiramente bases sócio-culturais importantes, que o teatro coloca à disposição da sociedade substituindo, em grande medida, o “papel principal” dos governantes.
Então, chegados a este conhecimento, sabemos que, com a nossa “mão-de-obra barata”, colocamos à disposição da grande maioria da população, o nosso trabalho técnico/artístico, conscientes de que prestamos um serviço sócio-cultural à sociedade.
E, não é pelo facto de sermos compulsivamente apaixonados “AMANTES DE TALMA “, que a nossa paixão é cega. Sabemos, que hoje, e cada vez mais, é necessário saber “suar a camisola”.
Todos sabemos o que temos feito, mas, o que muitos não sabem, é o significado da RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.
Sabemos que a tarefa não é fácil pois, infelizmente, ainda há muito “boa gente” que julga que o teatro de amadores das associações, é uma actividade de recreio, ou de lazer. Pior é quando pensam que pelo facto de ser AMADOR... serve de desculpa!
E mais, não se importam nada de ouvirem dizer “Para amadores não está mal” , e até consideram um elogio.
É urgente dizer, a quem assim pensa, o que significa a RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.
Companheiros:
Não é minha intenção” meter o nariz no pó do palco dos outros”, mas é meu entendimento, o quanto é prioritário alterar esta forma de estar e pensar o teatro produzido nas associações.
Todos nós já recebemos muitas manifestações de apreço de organismos, de instituições e personalidades, que nos dizem que estamos no caminho certo, e que o serviço que prestamos e colocamos à disposição da população é uma mais-valia sócio-cultural, associativa e artística. Mas, apesar de todos estes incentivos, temos que (peça a peça), ano após ano, melhorar o nosso trabalho, para que não considerem os nossos pedidos de apoio, uma exigência fútil, mas sim, uma pretensão que nos assiste quando queremos melhorar as condições do nosso trabalho e servir com melhor qualidade as populações.
Também sabemos, e temos disso consciência, que a pretensão que temos para com o “nosso teatro” só é possível com o apoio indispensável de parceiros interessados no crescer cultural da nossa terra.
E quando digo “crescer” refiro-me particularmente ao crescimento cultural das crianças, dos jovens e, por que não, dos adultos.
Todas as artes são importantes e, neste caso particular, o teatro, para a formação dos cidadãos, e quanto mais pequenos melhor.
Podemos não saber o que é que queremos que eles aprendam mas, que devem aprender uma arte, isso devem.
Com esta aprendizagem, vão ter por certo uma melhor visão da vida e do mundo e, como sabemos, as crianças expressam-se naturalmente. Faz parte da sua descoberta do mundo que as rodeia. Experimentam coisas através de um jogo permanente com a realidade.
Tal como as crianças, os jovens e os adultos, têm no teatro esse prazenteiro jogo do «fazer-de-conta», que possibilita conhecer melhor as humanidades.
Claro que não será por isso que todos serão técnicos ou intérpretes mas serão, por certo, cidadãos com princípios éticos, capazes de saber partilhar e ter conceitos mais ricos e diversificados.
E se pensarmos que primeiro aprendemos a falar e, depois, mais tarde, na escola, aprendemos o abecedário, podemos ter em conta que no teatro se pode e deve aplicar esta verdade como princípio.
Primeiro aprender a cultura e a ética teatral, ter urbanidade para e com a arte e, depois, mais tarde, na “escola”, aprender a formação técnica e artística.
Se quiserem ter a compreensão de que esta base ética é fundamental, o teatro de amadores das associações é, (deve e pode ser), uma boa escola da vida.
Estar ou ser do teatro, é um confronto permanente com a realidade.
Os primeiros contactos devem ser de forma lúdica e divertida o que os torna, mais tarde, activos e com sentido crítico e participativo.
Aprende-se com todos os sentidos e fica-se mais aberto àquilo que desconhecemos.
É bom que se entenda que o teatro, tal como as outras artes, é um espaço de liberdade e criatividade, onde existe a possibilidade de criar uma mudança de atitude.
Como diz Kant: - «apenas os gostos se discutem»
Mas, no teatro, discutir é procurar estabelecer pontes, é falar das emoções e vivências partilhadas tendo por base experiências de vida muito diferentes.
O papel do teatro é esse mesmo:
- Proporcionar um sonho de comunidade entre indivíduos distintos.
Estar no teatro é muito mais do que se imagina, ou do que aquilo que se pode encontrar nos livros.
Ser do teatro é saber que há objectos inúteis mas que contêm em si os mais elevados valores.
O teatro é um curso, que nem uma vida inteira chega para o concluir. Por isso se diz:
- “O que custa mais, são os primeiros 30 anos”
No teatro, nada é mais importante do que proporcionar a possibilidade de ser cada vez melhor, com a certeza saudável de que nunca se atingirá a perfeição.
E assim, será muito mais possível acreditar num futuro melhor.
Num futuro onde haja Mulheres e Homens com motivação para investirem, não só no seu crescimento social e na sua qualidade de vida cultural mas, também, para contribuírem para o desenvolvimento do local onde estão inseridos.
Mas para isso não chegam só as boas vontades, o voluntariado, ou até, ter gente com mais ou menos capacidades técnicas e artísticas, pois sabemos que, cada vez mais, a tecnologia é indispensável nos meios de produção.
Hoje, mais do que nunca, a utilização de meios técnicos faz parte da formação e do trabalho de cada um. Hoje, a qualidade de vida, tem que passar pela utilização das novas tecnologias.
Cabe, por isso, aos dirigentes artísticos e associativos, aos agentes culturais, aos patrocinadores, às Juntas de Freguesia, às autarquias, (já que o governo central não aceita pedidos de apoio dos amadores de teatro) um maior esforço nos apoios, e na contribuição para o crescimento sócio-cultural das artes dos palcos associativos.
Enquanto isso não for possível, com mais ou menos dificuldades, continuaremos, com “a “mão-de-obra barata” que somos A LEVAR O TEATRO À PORTA DOS FREGUESES.
Valha-nos a muita paixão que sentimos pelo teatro, valha-nos a muita perseverança que temos em querer melhorar a vida cultural do País que somos, que aliadas a alguns apoios públicos, e à solidariedade de personalidades e organismos, que acreditam no trabalho dos amadores de teatro, vai sendo possível, levar por diante esta maravilhosa tarefa artística e sócio-cultural , chamada TEATRO. Valha-nos isso.
Mas não nos devemos esquecer o quanto é importante saber o que é A RESPONSABILIDADE DE SER AMADOR DE TEATRO.
O teatro de amadores das associações é, de facto, e sem demagogias, uma grande escola de humanização para a vida social, cultural e associativa.
Alfredo Correia
21 de Março de 2009

Hoje é o dia Mundial da Poesia!

quinta-feira, 19 de março de 2009

Benvindos


Benvindos ao novo blog do grupo de teatro amador de Carapeços - TPC!